Bagé inaugura Memorial Alceu Collares no Museu Dom Diogo de Souza
O Museu Dom Diogo de Souza já finaliza os preparativos para a inauguração do Memorial Alceu Collares. O espaço será aberto à comunidade no dia 15 de novembro reunindo 327 itens do acervo pessoal de Alceu de Deus Collares, formando um conjunto documental e histórico que permite conhecer diferentes aspectos de sua vida, de sua atuação pública e do contexto político em que construiu sua trajetória, tanto tanto no Rio Grande do Sul quanto no Brasil.
Nascido em Bagé, em 7 de setembro de 1927, Alceu Collares viveu uma infância humilde em um rancho de torrão. Ainda jovem, trabalhou como vendedor de laranjas, entregador de telegramas e telegrafista nos Correios. Em 1959, filiou-se ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e, em 1960, formou-se em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). A partir de suas origens no Povo Novo de Bagé, construiu uma trajetória política que o levou a ocupar importantes funções na vida pública brasileira.
Foi vereador em Porto Alegre, deputado federal por cinco mandatos, prefeito da capital gaúcha e governador do Rio Grande do Sul. Em 1986, tornou-se o primeiro prefeito eleito negro de Porto Alegre e, em 1991, o primeiro governador negro do Estado. Sua atuação esteve marcada por iniciativas nas áreas da educação, da participação popular, dos direitos dos trabalhadores e do desenvolvimento social. Entre as ações de suas gestões estão a implantação de Centros Integrados de Educação Pública (CIEPs), as Casas da Criança, os Conselhos Populares e programas voltados à educação e ao desenvolvimento rural. No governo estadual, destacam-se também os Conselhos Regionais de Desenvolvimento (COREDEs), a criação da FEPAM e o Programa Pró-Guaíba.
A chegada do acervo ao Museu foi possível graças à doação de Neuza Canabarro Collares, esposa de Alceu, que teve participação direta e cuidadosa em todo o processo. Além de destinar a coleção à cidade, Neuza acompanhou sua organização, elaborou as primeiras fichas de identificação e zelou pela embalagem e pelo transporte dos materiais. Esse cuidado revela seu compromisso com a preservação dos documentos e objetos e, sobretudo o desejo de que Bagé recebesse esse acervo e pudesse manter viva a memória de Alceu Collares. O Memorial materializa essa vontade: deixar para a cidade um legado de memória e história.
A inauguração integra as comemorações dos 70 anos do Museu Dom Diogo de Souza, instituição concebida e concretizada por Tarcísio Antônio da Costa Taborda, advogado, magistrado, historiador e museólogo, responsável também pela criação do Museu da Gravura Brasileira e do Museu Patrício da Câmara.
Este museu é mantido pela Fundação Attila Taborda (FAT), mantenedora da URCAMP, instituição comunitária de educação superior comprometida com o desenvolvimento regional. A nova instalação conta com o apoio da Associação dos Amigos dos Museus de Bagé e da Sociedade Portuguesa de Beneficência.
O Memorial passa a integrar o patrimônio cultural de Bagé, ampliando as possibilidades de acesso à história política do Rio Grande do Sul e do Brasil. Seu acervo oferece oportunidades de conhecimento, pesquisa e ações educativas para estudantes, professores, pesquisadores e visitantes. É uma homenagem da cidade a um de seus filhos, cuja trajetória pública ultrapassou as fronteiras de sua terra natal e marcou diferentes momentos da história política brasileira.