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Urcamp Alegrete promove Simpósio de Bioética e Bem-estar animal

Repensar a maneira de tratar os animais, especialmente aqueles utilizados com propósito de estudo, foi o grande foco do simpósio, realizado pelo curso de Medicina Veterinária do Campus Alegrete.

Inicialmente, o bem-estar animal não é um conceito tão simples de ser compreendido. De forma geral, refere-se à qualidade de vida do animal, e isso inclui a saúde, a sua condição física, psicológica, felicidade, longevidade e a maneira com que são tratados por nós, humanos. Foi com essa abordagem, de maneira sensibilizadora, que os palestrantes chegaram ao público formado por acadêmicos do curso de Medicina Veterinária da Urcamp, alunos do IFSUL e da Unipampa.

A primeira abordagem foi da zootecnista e agrônoma Dra. Deise Dalazen Castagnara, da Unipampa de Uruguaiana. Ela levou como tema a pergunta “O que você tem a ver com bem-estar animal?”, onde destacou dados históricos, como a domesticação de animais, que já ocorria há milhares anos antes de Cristo. A informação mais contundente é de que a questão do bem-estar animal, relacionada aos bons tratos, só começou a ser discutida e entendida melhor há cerca de 50 anos. Em sua abordagem, uma reflexão sobre técnicas experimentais com animais, como ratos de laboratório, o uso de anestesia e a conscientização sobre a necessidade de um manejo apropriado e cuidadoso, que não permita nenhum tipo de dor. A palestrante se impressionou com o elevado nível dos alunos e destacou a importância de poder dividir conhecimento. “A partir do momento que temos a oportunidade de estudar, de ter uma visão diferente, a gente precisa compartilhar isso com as pessoas”, aponta.

A bióloga da Unipampa Dra. Liane Santariano Santana trouxe à tona o assunto “Boas práticas de manejo animal murino”, como são os chamados os ratos de laboratório, utilizados para fins de pesquisa. Em sua fala, a palestrante chamou a atenção para as resoluções, diretrizes e normas que regulam as leis sobre eutanásia e estudos com animais. Já a médica veterinária e zootecnista Dra. Patrícia Alessandra Meneguzzi Donicht, falou sobre o manejo utilizado no pré-abate de bovinos e seus impactos na qualidade da carne. Um relato onde destacou o número de lesões, hematomas e contusões, muitos deles ocasionadas pelo manejo inadequado na propriedade, que afetam no resultado, ou seja, na carne que chega até o consumidor. Um índice impressionante relatado em estudo, é que 60% das carcaças em frigoríficos possuem contusões violentas, o que demonstra a necessidade de se discutir o tema do bem-estar animal, enquanto ser vivo.

A última fala ficou por conta da coordenadora do curso de Medicina Veterinária do Campus Alegrete, Dra. Adriana Stigger, que falou sobre “Eutanásia: quando, como e por quê?”, onde relatou uma série de situações que permitem o uso do procedimento, os casos onde há a necessidade e a forma de fazê-lo, onde o animal chega ao óbito sem sofrimento ou dor. Cuidados com o uso de medicamentos, anestesia e técnicas na aplicação da fórmula também fizeram parte da palestra. “Divulgar a importância desse tema para a comunidade acadêmica é fundamental. Um assunto que antes não era falado e hoje está em evidência. Os animais fazem parte da constituição familiar e em contrapartida, isso implica em bons tratos, até mesmo nos animais de produção, porque reflete em produto de melhor qualidade”, explica a professora.

A professora Caroline Alvares Silva, que foi uma das organizadoras do Simpósio, juntamente com o professor Eduardo Fontoura, destacou o ineditismo do tema em debate, na região. “Esse assunto é multidisciplinar e é importante para os profissionais que vamos largar no mercado. Ele precisa ter um olhar diferente. Hoje o mercado consumidor exige um médico veterinário que tenha um diferencial. É preciso abordar esse tema, que não é novo, mas ainda causa um certo mal estar. Nesse sentido, a Urcamp é pioneira na nossa região em trazer essa discussão para um evento. E foi um sucesso”, finaliza.

Grupo de pesquisa

O acadêmico Felipe Corrêa Fagundes, que veio de Rosário do Sul para cursar veterinária em Alegrete diz que o aprendizado se expande com encontros assim. “Nos traz um conhecimento extra, incentiva a fazermos e participarmos de eventos como esse, ainda mais com temas que são de interesse de todos. A Urcamp nos dá total apoio e a acessibilidade com os professores faz toda a diferença”, revela. Felipe e outros colegas participam do Grupo de Ensino, Extensão e Pesquisa de Ruminantes da Urcamp – GEEPRU, criado em 2015, com o propósito de aprofundar os assuntos de sala de aula, além da produção de pesquisas científicas dentro da Instituição e promoção de palestras, debates e discussões sobre temas relacionados à Medicina Veterinária. Amanda Rosado integra o grupo desde o início. “Além do diferencial no currículo, o aluno adquire conhecimento, convivência em grupo, estimula o bom relacionamento e a desenvoltura para falar em público, sem falar no aprendizado”, conta.

O acadêmico já formando João Gomes de Carvalho Junior diz que eventos assim ampliam a percepção do futuro profissional. “É um tema atual e discutível dentro da Universidade. Toda a aula aborda isso e sem dúvida, esse aprofundamento nos traz uma reflexão”.

Comissão de Ética no Uso de Animais

O evento foi acompanhado por professoras Luciane Suñe e Sílvia Oliveira, que integram a Comissão de Ética no Uso de Animais – CEVA, criado dentro da Urcamp há três anos. A comissão está credenciada junto ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações e faz parte do Conselho Nacional do Controle da Experimentação Animal – CONCEA. O relato é de existe um caminho sem volta, pautado nos cuidados e no trato com os animais. “A busca de métodos alternativos é constante. Respeitar o bem-estar animal é respeitar a vida. Cultivar esse respeito é uma responsabilidade da Academia e as pessoas cada vex mais vão procurar profissionais que são sensíveis a essa causa. Medo e dor, a gente não quer trabalhar com isso”, justifica Suñe.

O Simpósio sobre bioética e bem-estar animal foi promovido pela Comissão de Ética no Uso de Animais – CEVA em parceria com o Curso de Medicina Veterinária do Campus Alegrete.