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Consórcio das Comunitárias e Assembleia tratam sobre o Ensino Superior no RS

por Felipe Valduga

Com o objetivo de estreitar o diálogo com os deputados da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, o Consórcio das Universidades Comunitárias Gaúchas (Comung) realizou, ontem, um café da manhã, no Salão Júlio de Castilhos, que reuniu cerca de 20 parlamentares gaúchos. A meta inicial foi apresentar o grupo e, ao mesmo tempo, sinalizar as expectativas visualizadas para o futuro.
Responsável pela abertura do ato, a presidente do Comung e reitora da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), Carmen Lúcia de Lima Helfer, destacou, inicialmente, a recente criação, pela Assembleia, de duas Frentes Parlamentares, uma destinada ao apoio das instituições comunitárias e outra à inovação no ensino, por meio da tecnologia, e, na sequência, frisou que o Rio Grande do Sul já consolidou, ao longo dos últimos anos, uma modalidade alternativa de Ensino Superior através das comunitárias. "São instituições que mantêm vínculos com suas comunidades e que não visam lucro, pois investem seus recursos para aperfeiçoar o ensino e contribuir com suas regiões", frisou. Deste modo, ressaltou que o grupo formado no Estado já representa o maior sistema de Educação Superior do Rio Grande do Sul. Destacou, ainda, que parte da colaboração viabilizada representou, até 2017, na formação de mais de 700 mil professores para atuação no Estado, por meio do programa ForProf.
Mesmo diante do cenário exposto, ela relatou que Santa Catarina, há alguns anos, por meio que uma emenda na Constituição Estadual, determinou a criação de bolsas para o público carente. "Queremos deixar uma sementinha, de ampliarmos o acesso ao Ensino Superior, a exemplo do que Santa Catarina fez", disse ao exaltar que se tratava de uma sugestão para o futuro. "Acreditamos que fortalecer as ICES fortalecerá o Rio Grande do Sul", argumentou.
Reitora da Urcamp e segunda vice-presidente do Comung, Lia Maria Herzer Quintana salientou que a união do Comung e da Assembleia, somando forças, resultará no desenvolvimento do Rio Grande do Sul. "Chega de falar que o RS está estagnado. É voz corrente no mundo que o desenvolvimento se dá através do formato de incubadoras, startups. E nós temos o ecossistema e o ambiente favoráveis. Se juntar poder público, o Legislativo, o Executivo e a sociedade civil como um todo, temos o ambiente correto para o desenvolvimento", atestou.

 

Infraestrutura

O Comung, segundo levantamento recente, contabiliza 15 Instituições de Ensino Superior Comunitárias (Unifra, IPA, Univates, PUCRS, UCPel, Urcamp, UCS, Unicruz, UPF, UFN, Unilasalle, Unisc, Unisinos, Unijuí e URI), abrangendo quase todo o território do Rio Grande do Sul, alcançando 181.490 estudantes (dos quais mais de 100 mil beneficiados por alguma bolsa ou financiamento), 1.527 cursos de graduação e pós-graduação, quase 9 mil professores, mais de 10 mil funcionários. Em termos estruturais, conta com 3,6 mil laboratórios para apoio ao ensino, 2,7 mil salas de aula e de estudo, 9 parques tecnológicos, 13 incubadoras de empresas, 5 incubadoras sociais, 12 agências de inovação e com atuação efetiva junto às comunidades onde estão inseridas, somando mais de 3,3 milhões de atendimentos prestados nas áreas da Saúde, Arte, Cultura, Educação, Esporte e Assistência Jurídica.

Alerta para mudanças e potencialidades
Em meio a um momento destinado, em especial, a expor o panorama atual das comunitárias, a presidente do Comung fez questão de mencionar que, por mais que a atuação seja preponderante para o desenvolvimento do Estado, o atual cenário exige certa atenção. "Mudanças políticas e econômicas do país têm repercutido, criando obstáculos para o acesso ao Ensino Superior. Registramos uma diminuição média de 25% de alunos presenciais, uma baixa de 42% do Fies e de 21% do Prouni", alertou aos parlamentares presentes do encontro.
De outro lado, porém, elogiou recente medida anunciada pelo Banrisul de abrir uma linha de crédito destinada para financiamentos de até 100% na semestralidade. "Esta foi uma ótima notícia", afirmou em contrapartida à menção anterior.
Carmen Lúcia também abordou outros tópicos, como o que confere resultados positivos na formação via instituições comunitárias. "Há estudos que mostram que o custo anual de alunos de comunitárias é quatro vezes menor que outras privadas, diante da mesma qualidade de ensino. "Temos expertise para contribuir e estamos nos colocando, enquanto Comung, para contribuir com as políticas públicas voltadas do Estado", conclui.

 

Secretário de Inovação destaca abertura para novas ideias

Representando o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, no ato, esteve o secretário de Inovação, Ciência e Tecnologia, Luís da Cunha Lamb. Em um discurso muito alinhado aos posicionamentos elencados sobre a importância de um ensino estruturado e atualizado, que busca além da simples formação, mas o desenvolvimento da sociedade – como é o caso da atuação da Instituições que integram o Comung –, ele defendeu que as universidades têm função estratégica para o futuro do RS.
Com experiência de mais de uma década como professor universitário, Lamb avaliou que a importância histórica do Ensino Superior para o Estado é reconhecida e, que, hoje, deve aumentar. "As grandes corporações que existem hoje, que chegam a valer um trilhão de reais, surgiram em centros acadêmicos. E isso representa um cenário claro, de que estas instituições não devem apenas formar pessoas, mas contribuir, abrindo espaços para novas ideias, novos negócios, possibilitando novas matrizes econômicas para o Rio Grande do Sul gerar riqueza e desenvolvimento", mencionou ele ao garantir que, por parte do Estado, o apoio às comunitárias é fundamental e se manterá.

 

Trincheira pela Educação

Responsável por recepcionar o grupo de reitores e demais servidores das ICES, o presidente da Assembleia gaúcha, deputado Luis Augusto Lara, foi direto ao se posicionar quanto à atuação do parlamento. "Somos uma trincheira das universidades gaúchas", citou ao mencionar a recente atuação em prol do ensino público federal e, neste momento, pelas comunitárias.
"Eu vejo que temos duas formas de contribuir. Primeiro, aumentando o crédito educativo, através do Fies ou outra forma que viabilize o acesso ao Ensino Superior. A outra maneira é pelo desenvolvimento econômico e, para isso, precisaremos do apoio das comunitárias", citou ele ao destacar o projeto Cresce RS, iniciativa lançada pelo parlamento com o objetivo de destravar iniciativas que contribuam com o desenvolvimento do Estado. "Temos feito articulações com as universidades, que são fundamentais, através de sua expertise, para nos ajudar neste processo de retirar o Estado da crise, mas por meio de uma agenda positiva", completou.
Presente também no ato, junto a um grupo de 20 parlamentares gaúchos, também esteve o deputado Luiz Fernando Mainardi, um dos representantes de Bagé no parlamento. "Eu tenho que as comunitárias cumprem um papel estratégico, por irem a vários cantos do Estado e garantirem o desenvolvimento da sociedade. Nós, enquanto deputado, temos apoiado e o Comung é um exemplo de mobilizador que funciona em prol do Ensino Superior", concluiu.