Aula Inaugural na Urcamp debate mudança de mentalidade no uso da IA
A inteligência artificial (IA) não representa apenas a adoção de novas ferramentas, mas exige uma mudança na forma de pensar, trabalhar e aprender. Essa foi uma das principais reflexões apresentadas pelo gerente de Inteligência de Negócios do Sicredi Liberdade, Fernando Fagonde, durante a aula inaugural dos cursos de Administração, Ciências Contábeis e Sistemas de Informação e Tecnologias da Urcamp. A atividade foi realizada na noite de quarta-feira, 19, no Salão de Atos do Campus Central, em Bagé, com a palestra “Pensando em loops: Como a IA mudou o nosso jeito de trabalhar”.
Professor e ex-colaborador da Urcamp, Fagonde destacou que a velocidade das transformações tecnológicas modificou a dinâmica do mercado, das profissões e do aprendizado. Segundo ele, a ideia de uma carreira linear, construída a partir do domínio de uma única área ou habilidade, perdeu espaço diante de um cenário em constante transformação. “Hoje, a quantidade e a velocidade das mudanças são tão grandes que já não se pode planejar para fazer uma coisa só na vida, aprender uma coisa só e viver disso”, observou. Para o especialista, a capacidade de experimentar novas ferramentas, conhecimentos e possibilidades tornou-se fundamental para a adaptação profissional.
Ao abordar especificamente a inteligência artificial, Fagonde chamou atenção para a necessidade de superar o uso das novas tecnologias a partir de métodos antigos. Conforme explicou, muitas pessoas experimentam ferramentas de IA tentando reproduzir processos que já realizavam anteriormente, sem repensar a maneira como o trabalho pode ser desenvolvido.
A proposta apresentada na palestra foi justamente estimular uma mudança de mentalidade. “Ferramentas novas só vão realmente trazer resultados se a gente trouxer um jeito novo de pensar como vai usá-las”, afirmou.
Resultado como ponto de partida
O conceito de “loops”, que dá nome à palestra, foi utilizado para representar uma lógica de trabalho baseada na evolução contínua. Para Fagundes, o resultado de uma atividade não deve ser encarado como um ponto final, mas como o ponto de partida para uma nova etapa. “Cada vez que a gente faz alguma coisa, quando chega ao final dela, um projeto, por exemplo, o final do projeto não é o fim. Ele é o começo de outra coisa”, explicou.
A mesma lógica, segundo o especialista, pode ser aplicada à formação acadêmica. A conclusão de um curso superior não representa o encerramento do processo de aprendizagem, mas o início de uma nova etapa profissional e de novos conhecimentos.
A abordagem também foi relacionada à utilização da inteligência artificial no ambiente de trabalho. Fagundes destacou que experimentar uma ferramenta e obter determinado resultado deve ser apenas o início de novas interações, avaliações e aprimoramentos.
Competências para um mercado em transformação
Outro ponto abordado durante a palestra foi a necessidade de desenvolver competências que vão além do domínio técnico das ferramentas de inteligência artificial. Entre as habilidades destacadas estão criatividade, pensamento crítico e visão sistêmica.
Fagonde também tratou das transformações no mercado de trabalho e das perspectivas para novas profissões e competências exigidas nos próximos anos. Ao discutir o receio de que a inteligência artificial elimine postos de trabalho, ressaltou que o impacto da tecnologia também está relacionado à capacidade dos profissionais de se adaptarem às mudanças.
Para ele, o principal desafio não está apenas na existência de ferramentas capazes de automatizar determinadas atividades, mas na preparação das pessoas para atuar em um mercado no qual essas tecnologias estarão cada vez mais presentes.
A reflexão apresentada aos acadêmicos foi de que a tecnologia, isoladamente, não é o principal elemento de transformação. O diferencial está na capacidade de identificar onde e como as ferramentas podem ser utilizadas para produzir melhores resultados. “O mundo vai continuar mudando e vai mudar cada vez mais rápido. A ferramenta não é o que é relevante; o relevante é o jeito de pensar a utilização das ferramentas e onde utilizá-las”, sintetizou.